sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A Tumba - H. P. Lovecraft [Contos de Terror]

"The Tomb To Die For" by R.J. Ivankovic


A Tumba (The Tomb) foi a primeira ficção escrita por Howard Phillips Lovecraft após tornar-se adulto. Esse conto foi escrito no verão de 1917, mas foi publicado pela primeira vez em 1922, na revista The Vagrant, em sua edição de março daquele ano.
O conto trata de um relato de Jervas Dudley, que encontra-se em um lugar como consequência de atividades bem peculiares e fora do comum, mas principalmente por conta de um episódio em particular que tornou-se o estopim para a mudança de sua vida, a qual sempre dotou-se de diversos desejos e ímpetos que flertam com o sobrenatural e que às vezes, mesmo que não totalmente revelado pelo narrador, mostra-se profundamente além do natural ou normal para os olhos daqueles se limitam pela sua mente comum.
O ambiente é repleto de referências mitológicas, com menções à cultura erudita clássica, o enredo bem envolvente e passível de curiosidade encaminha o leitor a um clímax muito bem trabalhado que culmina no estado no qual se encontra o narrador desde o início da estória.
Um excelente conto do grande gênio da literatura fantástica e inspirador para grandes escritores e amantes do gênero.
IMPORTANTE: Por favor, leia a mensagem após o conto.

Dados Técnicos
Nome Original: The Tomb.
Autor: Howard Phillips Lovecraft.
Tradutor (da versão aqui postada): Renato Suttana.
Narrativa: Primeira pessoa.
Período de escrita: Verão de 1917.
Primeira Publicação: Março de 1922.
Veículo da Primeira Publicação: Revista The Vagrant.
Personagens: Jervas Dudley, pai de Jervas, espião e Hiram.
Gênero: Literatura fantástica. 
Situação de Direitos Autorais: Domínio Público.

Leia agora o conto completo. Desfrute, entusiasta horror!


A Tumba

 H. P. Lovecraft (1917).
Tradução: Renato Suttana.

Ao relatar as circunstâncias que conduziram ao meu confinamento neste asilo de loucos, tenho consciência de que minha posição atual criará dúvidas naturais acerca da autenticidade de minha narrativa. É grande infortúnio o fato de que o grosso da humanidade seja limitado demais, em sua visão mental, para pesar com paciência e inteligência esses fenômenos isolados, vistos e sentidos apenas por uma minoria psicologicamente sensível, os quais jazem fora de toda experiência comum. Homens de intelecto mais amplo sabem que não existe nenhuma distinção precisa entre o real e o irreal; que todas as coisas aparecem como tais apenas em virtude dos delicados meios psíquicos e mentais de cada indivíduo, por meio dos quais nos tornamos conscientes delas; mas o materialismo prosaico da maioria reputa como loucura os lances de visão superior que perfuram o véu comum do empirismo óbvio.
Meu nome é Jervas Dudley, e desde a mais tenra infância tenho sido um sonhador e um visionário. Rico para além das necessidades de uma vida comercial, e de um temperamento inapto para os estudos formais e o recreio social daqueles com quem me relaciono, tenho lidado desde sempre em reinos que não pertencem ao mundo visível, passando minha juventude e minha adolescência debruçado sobre livros antigos e pouco conhecidos e a percorrer os campos e bosques das cercanias de meu lar ancestral. Não creio que o que li nesses livros ou vi nesses campos e bosques fosse exatamente o que os outros rapazes leram e viram ali, mas sobre isso preciso falar pouco, pois que discorrer mais detalhadamente apenas confirmaria essas calúnias cruéis acerca de meu intelecto que às vezes ouço sussurrarem os atendentes furtivos que me rodeiam. Basta-me relatar os eventos, sem analisar as causas.
Disse que vivi afastado do mundo visível, mas não disse que vivi sozinho. Isso nenhuma criatura humana poderia fazer, desde que, à falta da camaradagem dos vivos, inevitavelmente se entra na companhia de coisas que não são – ou não mais estão – vivas. Próximo à minha casa existe um vale arborizado bastante singular, em cujas profundezas crepusculares eu passava grande parte de meu tempo a ler, a pensar e a sonhar. Pelas suas encostas cobertas de musgo ensaiei meus primeiros passos de infância, e em volta de seus carvalhos grotescamente retorcidos se teceram minhas primeiras fantasias de juventude. Conheci as dríades dessas árvores e não raro assisti às suas danças selvagens sob os raios vacilantes de uma lua pálida, mas acerca dessas coisas não devo falar agora. Falarei apenas da tumba solitária em meio ao matagal mais escuro do declive – a tumba abandonada dos Hydes, uma velha e nobre família cujo último descendente direto fora depositado em seus negros recessos muitas décadas antes de eu nascer.
O pórtico a que me refiro é feito de granito ancestral, lavado e descolorido pelas névoas e pela umidade de muitas gerações. Escavada na encosta, apenas a entrada da construção é visível. A porta – uma pesada e proibitiva laje de pedra – pende de dobradiças de metal enferrujado e, ligeiramente aberta, jaz lacrada por pesadas correntes de ferro e cadeados, de acordo com um repulsivo costume de meio século atrás. A residência do clã cujos descendentes estão enterrados aqui coroou certa vez o declive no qual está a tumba, mas há muito tombou vitimada pelas chamas que desceram do céu na forma de um relâmpago. Daquela tempestade que à meia-noite destruiu essa lúgubre mansão os habitantes mais velhos da região às vezes falam entre sussurros e inquietações, aludindo ao que chamam de “ira divina” de um modo que nos últimos anos fez crescer vagamente o fascínio que eu sentia pelo sepulcro encravado na mata. Um homem apenas pereceu no fogo. Quando o último dos Hydes foi enterrado neste local de sombra e quietude, a triste urna de cinzas veio de uma terra distante, para a qual a família se mudou quando a mansão pegou fogo. Não resta ninguém para colocar flores diante do portal de granito, e muito poucos se dão ao trabalho de enfrentar as sombras depressivas que parecem guardar estranhamente as pedras lavadas pelas chuvas.
Jamais esquecerei aquele entardecer em que, pela primeira vez, me deparei com a semioculta casa da morte. Foi em pleno verão, quando a alquimia da natureza transmuda a paisagem silvestre numa única e quase homogênea massa de verde, quando os sentidos estão quase intoxicados com os mares afluentes de verdura úmida e os odores sutilmente indefiníveis do solo e da vegetação. Numa tal ambientação a mente perde suas perspectivas, o tempo e o espaço tornam-se triviais e irreais, e ecos de um esquecido passado pré-histórico batem insistentemente contra a consciência enlevada.
Durante o dia todo eu tinha estado a perambular através dos bosques místicos do vale, a conceber pensamentos que não há que discutir e a conversar com coisas que não há que nomear. Com apenas dez anos, eu tinha visto e ouvido muitas maravilhas que a turba desconhecia e já era espantosamente maduro em certos aspectos. Quando, depois de abrir caminho entre duas touceiras de arbustos, subitamente deparei com a entrada da cripta, não tinha o menor conhecimento acerca do que encontrara. Os blocos negros de granito, a porta curiosamente semicerrada e os entalhes funerais sobre o arco não despertaram em mim quaisquer associações de caráter fúnebre ou terrível. Sobre sepulturas e tumbas eu sabia e devaneara bastante, mas fora poupado, devido ao meu temperamento peculiar, de todo contato com adros e cemitérios. A estranha casa de pedra escondida entre o mato na encosta constituía para mim apenas uma fonte de interesse e especulação, e seu interior frio e úmido, para dentro do qual eu espiava através da excruciante abertura, não me sugeria nada de morte ou decadência. Mas naquele instante de curiosidade nasceu o desejo loucamente irracional que me trouxe até este inferno de confinamento. Espicaçado por uma voz que deve ter vindo da alma medonha da floresta, tomei a decisão de penetrar na escuridão que me convocava, a despeito das pesadas correntes que impediam minha passagem. Na luz evanescente do dia chacoalhei insistentemente os obstáculos enferrujados, na esperança de abrir a porta de pedra, e até mesmo experimentei espremer meu corpo magro através do pouco espaço disponível, mas essas tentativas não surtiram efeito. Curioso no início, tornei-me frenético e, quando ao anoitecer retornei a casa, jurara aos cem deuses da mata que a qualquer custo um dia haveria de forçar minha entrada nas profundezas escuras e gélidas que pareciam me chamar. O médico de barba grisalha que todos os dias vem até meus aposentos certa vez disse a um visitante que essa decisão marcou o começo de uma lamentável monomania; mas deixarei o julgamento final a cargo de meus leitores, depois que souberem de tudo.
Os meses subseqüentes à minha descoberta foram gastos em tentativas fúteis de forçar o complicado cadeado da cripta semicerrada, bem como em perquirições cuidadosas e vigilantes acerca da natureza e da história da construção. Com os ouvidos tradicionalmente receptivos de um menino, aprendi muito, embora uma discrição habitual não me permitisse contar a ninguém sobre o meu conhecimento ou minha resolução. Será talvez importante mencionar que não fiquei nem um pouco surpreso ou aterrorizado com a natureza do pórtico. Minhas idéias bastante originais acerca da vida e da morte tinham me levado a associar, de maneira vaga, a argila fria com o corpo que respira, e senti que a grande e sinistra família da mansão incendiada estava de algum modo dentro do espaço de pedra que eu procurava explorar. Lendas murmuradas acerca de ritos exóticos e festins pagãos de épocas passadas, ocorridos dentro do vestíbulo ancestral, despertaram em mim um novo e irresistível interesse pela tumba, em frente a cuja porta eu me sentaria durante horas diariamente. Um dia acendi uma vela diante da entrada obstruída, mas nada pude ver a não ser um lance descendente de degraus de pedra úmida. O odor do lugar me repelia e ao mesmo tempo me enfeitiçava. Sentia como se já o tivesse conhecido num passado remoto, anterior a toda lembrança, anterior mesmo à habitação deste corpo que agora possuo.
No ano seguinte àquele em que vi a tumba pela primeira vez, deparei-me, no sótão cheio de livros de minha casa, com uma tradução corroída das Vidas de Plutarco. Ao ler a vida de Teseu, fiquei por demais impressionado com a passagem em que se fala da enorme pedra sob a qual o menino herói haveria de encontrar as pistas sobre seu destino assim que se tornasse adulto o suficiente para erguer o grande peso. A lenda teve o efeito de aplacar minha aguda impaciência em atravessar o portal, fazendo-me sentir que a hora ainda não chegara. Mais tarde – eu disse a mim mesmo – crescerei e adquirirei força e habilidade que me permitirão destrancar facilmente a porta que os grilhões encerram, mas até lá seria melhor me conformar com o que me parecia ser a vontade do destino.
Com efeito, minhas vigílias diante do portal úmido tornaram-se menos persistentes, e grande parte do meu tempo era despendida em outras atividades igualmente estranhas. Às vezes eu me levantava em silêncio durante a noite, saindo às escondidas para andar por esses cemitérios ou locais de sepultamentos dos quais meus pais me mantiveram afastado. O que eu fazia lá não posso dizer, pois agora não estou seguro de algumas coisas, mas sei que no dia seguinte a essas rondas noturnas eu costumava pasmar os que me cercavam exibindo conhecimento de assuntos quase esquecidos durante muitas gerações. Foi depois de uma noite dessas que surpreendi a comunidade com uma idéia inusitada acerca do enterro do rico e celebrado Squire Brewster, personagem da história local que fora sepultado em 1711 e cuja lousa, exibindo um crânio gravado e ossos cruzados, ia lentamente se transformando em pó. Num lance de fantasia infantil, aventei não somente que o coveiro, Goodman Simpson, teria roubado os sapatos de fivelas de prata, as calças de seda e as roupas de baixo de cetim do falecido antes do enterro, mas que o próprio Squire, não totalmente inanimado, teria se virado duas vezes em seu caixão coberto de terra no dia seguinte ao do sepultamento.
Mas a ideia de entrar na tumba nunca me saiu da cabeça, sendo mesmo estimulada pela inesperada descoberta genealógica de que minha ascendência materna mantinha um ligeiro vínculo com a supostamente extinta família dos Hydes. Último de minha raça paterna, eu era igualmente o último dessa linhagem mais antiga e mais misteriosa. Comecei a sentir que a tumba era minha e a esperar ansiosamente pelo momento em que poderia atravessar a porta de pedra e descer na escuridão por aqueles degraus de pedra lodosa. Adquiri o hábito de ouvir com atenção através da porta semiaberta, preferindo as horas da quietude noturna para essa estranha vigília. Quando adquiri mais idade, abri uma pequena clareira no matagal que recobria a face do declive, permitindo que a vegetação circundante cercasse e envolvesse a abertura como uma espécie de cerca viva selvagem. Essa clareira se tornou meu templo, a porta fechada meu santuário, e era aqui que eu me deitava sobre o solo musgoso a pensar estranhos pensamentos e a sonhar sonhos estranhos.
A noite da primeira revelação estava bastante abafada. Devo ter adormecido de cansaço, pois foi com uma clara sensação de despertar que ouvi as vozes. Hesito em falar desses acentos e timbres, não falarei de sua qualidade, mas posso dizer que apresentavam espantosas diferenças de vocabulário, pronúncia e modos de enunciação. Cada matiz dialetal da Nova Inglaterra, desde as ásperas sílabas dos colonos puritanos até a retórica precisa de cinqüenta anos atrás, parecia representado naquele colóquio sombrio, conquanto somente mais tarde eu notasse esse fato. Naquela hora, decerto, minha atenção foi desviada desse aspecto por um outro fenômeno – um fenômeno tão fugaz que eu não poderia jurar acerca de sua realidade. Mal me dei conta de ter despertado, uma luz foi imediatamente apagada dentro do sepulcro escuro. Não creio que fiquei perplexo ou apavorado, mas sei que fui transformado profunda e permanentemente naquela noite. Logo que voltei a casa, dirigi-me imediatamente a uma arca carcomida no sótão, onde encontrei a chave que no dia seguinte removeu com facilidade o obstáculo contra o qual me bati em vão durante tanto tempo.
Foi sob o brilho de um suave entardecer que entrei pela primeira vez na cripta da encosta abandonada. Como se enfeitiçado, meu coração vibrava de um contentamento que não sei descrever. Assim que fechei a porta atrás de mim e desci os degraus encharcados à luz de uma vela, era como se eu já soubesse o caminho, e embora a vela crepitasse na atmosfera sufocante do lugar, eu me sentia singularmente em casa naquele ar mofado e sepulcral. Olhando ao meu redor, avistei muitas lajes de mármore sustentando esquifes ou os restos de esquifes. Alguns estavam lacrados e intactos, mas outros se tinham quase desfeito, deixando apenas as alças de prata e as placas isoladas em meio a alguns montículos singulares de pó. Sobre uma das placas li o nome de Sir Geoffrey Hyde, o qual viera de Sussex em 1640 e morrera aqui uns poucos anos mais tarde. Numa alcova conspícua havia um caixão desocupado e bastante bem preservado, adornado apenas com um nome que me fez sorrir e estremecer. Um impulso inusitado me levou a subir na laje larga, a apagar minha vela e a me deitar dentro da caixa vazia.
À luz cinzenta da aurora cambaleei para fora da cripta e tranquei a corrente da porta atrás de mim. Já não era mais um jovem, embora apenas vinte e um invernos houvessem esfriado minha estrutura corpórea. Aldeões madrugadores que observaram minha caminhada até casa olhavam-me de maneira estranha e espantavam-se com os sinais de obscena euforia que descobriam num homem cuja vida era conhecidamente solitária e austera. Não compareci perante meus pais sem antes passar por um sono longo e restaurador.
Desde então passei a ir à tumba a cada noite, vendo, ouvindo e fazendo coisas que não devo jamais recordar. Meu modo de falar, sempre suscetível às influências do ambiente, foi a primeira coisa a sucumbir à mudança, e o arcaísmo de dicção que subitamente adquiri foi logo notado. Mais tarde, um atrevimento e uma audácia inesperados apareceram em meu comportamento, até que inconscientemente comecei a tomar os modos de um homem do mundo, não obstante meu passado de reclusão. Minha língua, silenciosa de costume, deslizava com a graça fácil e volúvel de um Chesterfield ou com o cinismo ateu de um Rochester. Passei a exibir uma peculiar erudição, totalmente distinta do saber fantástico e monacal sobre o qual me esfalfara em minha juventude, bem como a cobrir as guardas de meus livros com fáceis epigramas de improviso, os quais evocavam acentos de Gay, Prior e a engenhosidade vivaz dos augustanos. Certa manhã, durante o desjejum, cheguei à beira do desastre, ao declamar com acentos de efusão palpavelmente alcoólica de uma jovialidade setecentista, uma peça de jocosidade georgiana nunca registrada em livro, que dizia mais ou menos o seguinte:

Tragam aqui, meus rapazes, seus canecos de cerveja
E bebam ao dia de hoje, antes que já não mais seja.
Encham seus pratos de bifes, empilhando-os em montanha,
Pois só beber e comer é o que da vida se ganha.
Encham suas taças,
Pois a vida passa,
E depois ao rei e à amada não há quem um brinde faça.

O nariz de Anacreonte era vermelho, se diz;
Mas o que é um nariz vermelho quando se é alegre e feliz?
Melhor ser vermelho agora – Deus me castigue! – que estar
Branco como um lírio ou morto antes de o ano acabar!
Venha, Betty, em festa,
Beije-me na testa;
Filha de estalajadeiro no inferno não há como esta!

Que o jovem Harry ainda esteja de pé nos causa surpresa,
Logo há de perder a linha e entrar debaixo da mesa;
Mas encham bem suas taças, passem-nas de mão em mão,
Melhor embaixo da mesa do que debaixo do chão!
Que reine o festim,
Que bebam por mim:
Sob sete palmos de terra não se ri tão bem assim!

Que o diabo me carregue, se mal me agüento de pé
e, com todos os demônios, se de mim ainda dou fé!
Aqui, patrão, mande Betty chamar um carro, que eu vou
correr para casa, enquanto minha esposa não chegou!
Alguém me sustente,
Antes que eu me sente:
Que enquanto em cima da terra estou feliz e contente.

Por essa época é que adquiri meu medo atual ao fogo e aos temporais. Indiferente até então a tais coisas, tinha por eles agora um indizível horror e me retiraria para os recantos mais profundos da casa assim que nos céus se anunciassem quaisquer sinais de eletricidade. Um de meus abrigos favoritos durante o dia era o porão arruinado da mansão que se incendiara, e na imaginação eu reconstituía a estrutura tal qual teria sido em seus primórdios. Em certa ocasião, deixei pasmado um aldeão ao conduzi-lo secretamente até um sub-porão de teto baixo, de cuja existência eu parecia saber a despeito do fato de ele ter ficado oculto e esquecido por muitas gerações.
Por fim aconteceu o que eu há muito temia. Meus pais, alarmados com a alteração de maneiras e aparência de seu único filho, começaram a exercer sobre meus movimentos uma amável espionagem, a qual ameaçava resultar em desastre. Eu nada dissera acerca de minhas visitas à tumba, tendo guardado meu propósito secreto com zelo religioso desde a infância, mas agora me via forçado a ter cautela quando penetrava os labirintos da depressão brenhosa, não fosse estar sendo seguido às ocultas. Minha chave para a cripta eu a mantinha pendurada num cordão no pescoço, como um segredo que só eu conhecia. Nunca trouxe para fora do sepulcro qualquer das coisas que encontrei por entre aquelas paredes.
Certa manhã, quando saí da tumba úmida e prendi as correntes do portal com pouca firmeza, lobriguei numa macega próxima a face horrorizada de um bisbilhoteiro. Por certo o fim estava próximo, pois meu recanto fora descoberto e o objetivo de minhas jornadas noturnas fora revelado. O homem não me abordou, de modo que me apressei a chegar a casa, a fim de descobrir o que ele reportaria ao meu pai preocupado. Seriam minhas incursões para além da porta trancada reveladas ao mundo? Imaginem com que espanto deleitoso ouvi meu espião informar a meu pai, num cauteloso sussurro, que eu tinha passado a noite na clareira em frente à tumba, meus olhos baços de sono fixados na fenda da porta não de todo fechada! Que milagre ocorrera a ponto de iludir assim esse observador? Convenci-me de que um agente sobrenatural me protegera. Na audácia que tal circunstância, enviada do céu, me dava, passei a ir, sem nenhuma dissimulação, à cripta, na confiança de que ninguém testemunharia minha entrada. Durante uma semana provei à saciedade as alegrias daquele convívio sepulcral, o qual não descreverei, até que a coisa aconteceu e me vi arrastado para este maldito lugar de tristeza e melancolia.
Não devia ter me aventurado a sair naquela noite, pois indícios de trovões relampejavam nas nuvens e uma fosforescência infernal subia do pântano ao fundo do vale. Também o chamado dos mortos estava diferente. Em vez da tumba na encosta, era o demônio que presidia o porão chamuscado no topo da elevação que me acenava com dedos invisíveis. Quando saí de um matagal intermediário para o plaino diante da ruína, descobri sob o luar nebuloso uma coisa pela qual sempre esperara vagamente. A mansão, destruída havia um século, mais uma vez se erguia no alto como uma visão arrebatadora, todas as janelas a brilhar com o esplendor de muitas velas. Pela longa estrada rodavam as carruagens da elite de Boston, enquanto a pé se aproximava um numeroso ajuntamento de janotas empoados, provenientes das mansões vizinhas. Misturei-me a essa multidão, conquanto estivesse certo de pertencer mais ao dos anfitriões que ao dos hóspedes. Para além do saguão havia música, gargalhadas e vinho em todas as mãos. Reconheci muitas faces, e as teria reconhecido melhor ainda se as visse ressequidas ou carcomidas pela morte e pela decomposição. Em meio a essa turba selvagem e estouvada, eu era o mais selvagem e o mais debochado. Alegres blasfêmias jorravam de meus lábios, e em chocantes gracejos eu desprezava as leis de Deus ou da natureza.
Súbito, o estrondo de um trovão, muito mais forte que a algazarra do imundo festim, rompeu o telhado e fez baixar um enorme silêncio sobre a companhia turbulenta. Línguas vermelhas de fogo e golfadas de calor ardente envolveram a casa, e os participantes, tomados pelo pavor de uma iminente calamidade que parecia transcender os limites da natureza desgovernada, fugiram aos gritos noite adentro. Somente eu permaneci, preso ao meu assento por um medo humilhante que nunca antes sentira. E então um segundo horror tomou conta de minha alma. Queimado vivo até às cinzas, meu corpo disperso aos quatro ventos, eu nunca poderia jazer no túmulo dos Hydes! Não estava meu caixão já preparado para mim? Não tinha eu o direito de descansar até a eternidade entre os descendentes de Sir Geoffrey Hyde? Ai! eu exigiria minha herança de morte, mesmo que minha alma vagasse através das eras à procura de uma nova habitação corpórea, que a representaria sobre aquela laje desocupada na alcova da cripta. Jervas Hyde não deveria jamais compartilhar do triste destino de Palinuro!
Quando o fantasma da casa incendiada desapareceu, encontrei-me a gritar e a me contorcer loucamente nos braços de dois homens, um dos quais era o espião que me seguira até a tumba. A chuva caía torrencialmente, e sobre o horizonte, na direção sul, viam-se os clarões dos relâmpagos que há pouco tinham passado sobre nossas cabeças. Meu pai, a face transtornada de pesar, estava ao lado, enquanto eu ordenava aos berros que me colocassem na tumba, admoestando freqüentemente os meus capturadores para me tratarem com a máxima consideração. Um círculo escuro sobre o piso do porão arruinado sugeria uma carga violenta dos céus, e era nesse local que um grupo de aldeões curiosos estava a examinar com lanternas uma caixa pequena de fabricação antiga, que a explosão do raio trouxera à luz.
Cessando minhas contorções fúteis e sem sentido, observei os espectadores enquanto olhavam o pequeno tesouro e obtive permissão para compartilhar de suas descobertas. A caixa, cujo fecho tinha se partido com o golpe que a desenterrara, continha alguns papéis e objetos de valor, mas eu só tinha olhos para uma coisa. Tratava-se da miniatura em porcelana de um homem jovem usando uma peruca caprichosamente encaracolada, a qual portava as iniciais “J. H.” Quanto à face, sua conformação era tal como se eu estivesse a me olhar no espelho.
No dia seguinte, trouxeram-me a este quarto que tem grades nas janelas, mas tenho sido informado sobre certas coisas por um homem velho, de mentalidade rude, por quem nutro simpatia desde a infância, o qual, tal como eu mesmo, também é amante de cemitérios. O que ousei relatar de minhas experiências na cripta trouxe-me apenas sorrisos de piedade. Meu pai, que me visita com freqüência, assevera que em tempo algum atravessei o portal lacrado pelas correntes e jura que, quando o examinou, o cadeado enferrujado tem estado como sempre esteve ao longo de cinqüenta anos. Chega mesmo a dizer que toda a comunidade sabia de minhas idas ao túmulo e que eu era muitas vezes vigiado enquanto dormia na clareira da encosta, meus olhos semicerrados fixos na fenda que conduz ao interior. Contra essas afirmações não tenho nenhuma prova tangível, até porque a chave para o cadeado se perdeu na luta durante aquela noite de horrores. As coisas estranhas do passado que aprendi durante aqueles encontros noturnos com os mortos ele as reputa como meros frutos de minha vida pregressa de onívora perscrutação sobre volumes antigos da biblioteca da família. Não fosse pelo meu velho serviçal Hiram, eu hoje estaria convencido de minha loucura.
Mas Hiram, leal até o fim, conservou sua fé em mim e fez aquilo que me impele a trazer a público pelo menos uma parte de minha história. Há uma semana, ele quebrou o cadeado que prende a porta da tumba em sua posição perpetuamente semicerrada e desceu com uma lanterna até as profundezas sombrias. Sobre uma laje, numa alcova, encontrou um velho mas ainda vazio caixão cuja inscrição deslustrada contém uma simples palavra: Jervas. Nesse caixão e nessa cripta é que me prometeram que serei enterrado.

***


Sobre o Tradutor

Renato Suttana é doutor em Letras e professor de Literatura Brasileira na Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), em Guarapuava-PR. É autor de Uma poética do deslimite: o poema como imagem na obra de Manoel de Barros (dissertação de mestrado, PUC-MG, 1995), de João Cabral de Melo Neto: o poeta e a voz da modernidade (tese de doutorado, UNESP-Assis, 2003) e do livro de poesias Visita do fantasma na noite (2002). Suttana também mantém seu site na web: http://www.arquivors.com. Contatos com o tradutor podem ser feitos pelo e-mail: rsuttana@arquivors.com

Fonte

Este conto foi baixado e postado neste blog a partir do arquivo em formato pdf disponível no SiteLovecraft (http://www.sitelovecraft.com/). Os arquivos são domínio público, logo não estamos ferindo nenhuma licença ou direitos autorais. Agradecemos ao SiteLovecraft e ao tradutor Dr. Renato Suttana, por divulgarem livremente cultura de boa qualidade com são as estórias de Lovecraft. Aqui também buscamos disponibilizar o máximo de conteúdo sem cobrar nada por isso.

      Uma Mensagem Importante

Jervas Dudley, o protagonista deste conto de H.P. Lovecraft, teve um fim triste e trágico. Acabou considerado louco por todos, incluindo seu pai, sendo confinando em um asilo. O jovem Jervas blasfemou e desprezou as regras de Deus e da Natureza.
Teriam sido estas as causas de seu fim horrível? Talvez sim, pois seria um tipo de castigo, isso dependeria da intensidade de seus pecados citados e da sua atitude, por exemplo, em não buscar perdão e não tentar se redimir. Mas talvez não, poderia ser um tipo de provação, mas que ele resolveu não enfrentar e apenas aceitar, tornando-se uma vítima de uma oportunidade de crescer, optando por sofrer, ao invés de superar a situação e tornar-se mais forte, maduro.
Nunca se deve blasfemar, se você o fez, desculpe-se com Deus. Não blasfeme contra o Espírito Santo, pois para esse tipo de blasfêmia não há perdão.
Também não despreze a Deus, às suas regras, leis e mandamentos, se você faz isso, está decepcionando a Deus, pois Ele entregou o seu próprio filho, Jesus, para morrer por cada um de nós, incluindo você, e o que você faz? Despreza-o? Não faça isso, desculpe-se com Deus se você já o desprezou, ele te perdoará, mas não o faça novamente.
Tente criar uma ligação, uma relação, um vínculo com Deus, Ele é o seu Criador, Salvador, Inspirador, Pai e melhor amigo, seja o melhor possível para Ele, pois você pode ter certeza de que Ele é maravilhoso contigo.
Por mais que a vida seja dura, e realmente é, Ele está te ajudando, e cada situação difícil será como uma oportunidade para você crescer, se tornar mais forte, como se estivesse passando por um treinamento, tendo Deus como seu guia e seu aliado em cada batalha. Como se você fosse uma flor crescendo no deserto, tendo Deus como seu o homem que te rega e te deixa ficar cada vez mais forte, para um dia se tornar o mais belo (em todos os sentidos possíveis) possível.
O destino de Jervas não é nada comparado ao daqueles que negam a Cristo, pois o resultado disto será um sofrimento que perdurará para sempre, enquanto aqueles que o seguem terão a vida eterna com Deus.
Mas não esteja com Deus apenas para se agradar com a vida eterna, fique com Ele porque você é uma criatura feita por Ele e para Ele, apenas seja grato e o siga, Ele é o melhor que existe dentre tudo o que há nesse existir, pois ele é o Autor da Existência.
João disse referindo-se a confessarmos, assumirmos para Deus, que pecamos, e demonstrando arrependimento: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João, 1:9).
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João, 3:16).

Fonte da Imagem: Blog Com Shalom


Referências

A TUMBA. hplovecraft.com.br. Disponível em: <http://hplovecraft.com.br/contos/a-tumba/>.  Acesso em 20, set. 2017.

Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/>. Acesso em 12, set. 2017.

www.sitelovecraft.com. Acesso em 20, set. 2017.


Parabéns pelo seu interesse em conhecer uma nova (hi)(e)stória e em aprender algo novo, volte sempre. 

Deus seja louvado!!!

DMSF.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Betty Boop in Bimbo's Initiation - A Iniciação de Bimbo


A Iniciação de Bimbo

A Iniciação de Bimbo (originalmente, Betty Boop in Bimbo's Initiation) é um curta de desenho animado da série Talkartoon dos Estúdios Fleischer. O desenho, lançado em 1931, é estrelado pelo cachorro preto e branco Bimbo e Betty Boop. No desenho, Bimbo é coagido e persuadido pelos membros de uma sociedade secreta que tentam forçá-lo, por meio de diversas torturas e situações que poderiam ser interpretadas como tentativas de assassinato, a aceitar tornar-se um membro do grupo; as assustadoras cenas que põem em risco a vida Bimbo são punições por conta da sua resposta “Não!” ao “convite” feito pelo grupo, além da própria de ser uma forma de forçá-lo a aceitar, deixando-o sem escolhas, caso queira viver. Uma surpresa é revelada, é a partir de então que Betty Boop surge na trama.
No final da postagem você poderá encontrar e assistir o vídeo completo. Mas, por favor, leia ao menos o tópico Uma Mensagem Importante, antes do vídeo, caso queira pular para assistir antes de ler sobre o desenho ou caso não queira ler sobre o desenho. 

Dados e Ficha Técnica
Título Original: Betty Boop in Bimbo's Initiation.
Estúdios Fleischer.
Série Talkartoon.
Animação Tradicional.
Distribuído por: Paramount Publix Corporation
Personagens de desenho animado: Bimbo, Betty Boop, Membros de uma Sociedade Secreta.
Ator de voz: Mae Questel e Billy Murray.
Diretor: Dave Fleischer.
Produtor: Max Fleischer.
Produtor Executivo: Adolph Zukor.
Animador: Myron "Grim" Natwick (sem créditos).
Lançamento: 24 de julho de 1931, originalmente lançado teatralmente.
Gênero: Animação, comédia (mas acabou ficando bem assustador).
Música: Sammy Timberg.
Duração: 6 minutos e 31 segundos.
Número de Produção: FL3120.
Mix de som: Mono (Western Electric Noiseless Recording).
Aspect Ratio: 1.20:1.
Cor: Preto e branco.
País: Estados Unidos da América. 



Enredo (Alerta de Spoilers)
Bimbo caminha pela rua, assoviando tranquilamente, porém, cai em um bueiro, o qual, logo após sua queda, é trancado com um enorme cadeado por Mickey Mouse. 



Ele escorrega até o subterrâneo, para onde deveria ser o esgoto, mas na verdade mostra-se ser um local de culto frequentado por uma sociedade secreta, a qual é formada por membros mascarados com velas sobre suas cabeças. 




O líder daquele grupo pergunta a Bimbo se ele gostaria de se tornar um membro daquela sociedade secreta, mas o pobre cachorro assustado recusa e logo é enviado a uma série de eventos que colocariam em risco a sua vida, uma sequência situações de tortura e risco de morte. Bimbo é repetidamente abordado pelo líder do grupo, sendo sempre questionado quanto a seu desejo de se tornar membro, mas o protagonista continua a recusar.





Então, Bimbo é levado para uma série de portas fechadas misteriosas à sua frente, a última escolhida leva-o a mais o outro lugar, por onde passa por mais eventos que o fazem lutar por sua sobrevivência, sendo sempre questionado sobre querer ser ou não um membro.



Após uma corrida, escapando por pouco de cada machado, portas cortantes e diversas aflições, encara mais uma vez o líder do grupo que desta vez revela-se ser a Betty Boop, a qual faz uma dança sensual e pergunta “Quer ser um membro? Quer ser um membro?”. Desta vez ele aceita e ambos vão para em uma espécie de palco, onde dançam juntos com diversas outras Betty Boops que são os demais membros com sua identidade também reveladas.




Curiosidades
O caráter surreal e pesado do desenho animado A Iniciação de Bimbo o tornou um dos desenhos mais famosos dos Estúdios Fleischer. Leonard Maltin o descreveu como o desenho mais “dark” de todos. Em 1994, o curta de animação foi eleito por membros do setor de animação como o 37° dos 50 maiores desenhos animados de todos os tempos.
A música “Wanna be a member? Wanna be a member?” (“Quer ser um membro? Quer ser um membro?”) é uma paródia da música de 1919 “The Vamp” (ou Vamp the Little Lady).

Você percebeu o simbolismo neste desenho?
OBS.: Isso não implica em "mensagens subliminares" necessariamente, pois o objetivo deste simbolismo pode ter sido apenas tornar o desenho mais "realista", mostrando coisas reais presentes na sociedade secreta escolhida para ser representada.

De início já temos a própria sociedade secreta na premissa do desenho, isso já nos deixa a pensar no simbolismo que poderia estar presente no desenho para nos dar pistas de qual seria aquele grupo ou se este seria apenas um grupo genérico, ficcional ou específico e explícito a ponto de podermos identificá-lo facilmente. Vejamos parte por parte o desenho e seremos capazes de perceber e constatar de qual ritual de iniciação a sociedade secreta o desenho trata.
O próprio visual dos personagens que compões tal sociedade nos dá a primeira pista: as velas na cabeça dos mascarados simbolizam a iluminação.


Ao responder “não” ao convite para participar do grupo, Bimbo é enviado a provações, coisa que é comum em diversas sociedades secretas para iniciados. Em alguns momentos o protagonista é levando a pensar que está diante de uma morte certa, sem escapatória, o que nos leva a outro ponto comum para iniciados em várias sociedades secretas – as experiências de quase morte.
Bimbo passa pela provação das “porta do mistério”, onde vemos claramente uma referência à sociedade Skull & Bones e o número 13 que é muito simbólico e usado em ocultismo.


Bimbo, em uma de suas torturas, depois de que ser espancado no traseiro severamente, tenta fugir de bicicleta daquele covil e passa por um salão com piso quadriculado preto e branco, o também chamado “piso maçônico”.


Experimenta ainda sobre a natureza ilusória do matéria e suas transformações, bem como da energia que paira por esse mundo, algo que é bastante comum nas iniciações de sociedades secretas desde tempos distantes.


Ao término, a revelação de Betty Boop e sua dança sensual faz com que Bimbo aceite entrar para o grupo, o que o deixa muito feliz, pois se agrada com Betty Boop e as demais Bettys que compõem a sociedade secreta. Isso acaba nos remetendo a seguinte ideia: pode ser difícil enfrentar as provações para iniciar em uma sociedade secreta, mas o resultado é agradável quando se consegue participar do grupo, não estou afirmando que isso seja verdade, mas isso é o que o desenho nos mostra, pelo menos nessa observação. 


A maçonaria é a sociedade secreta abordada no desenho, todo o simbolismo presente se encaixa. Agora tenho uma mensagem para vocês que eu tirei do desenho, totalmente original, por favor leiam, se estiverem cansados, copiem e colem em um bloquinho de texto, faça uma nota, e deixem pra ler depois, ou salvem o sei nos favoritos ou mesmo copie o link, mas leia, por favor. O prazer de eu postar aqui é saber que vocês leram a mensagem que tenho para lhes passar. Importante: essa mensagem que lhe tenho pra passar não tem nada a ver com a maçonaria, ok? Não discrimino ninguém, não importa a religião, a sociedade secreta.

Uma Mensagem Importante
O ser humano é capaz de coisas grandes. Mas essas coisas nem sempre são construtivas, nem sempre são boas, podem ser degradantes, doentias, enganosas e más. A morte é algo difícil de superar quando ela chega a um entede querido, por exemplo, mas você precisa aceitar e não pode tentar mudar a natureza, as regras de Deus, pois pode parecer duro de enfrentar, mas Deus tem um propósito para tudo ser como é, não temos como entender como ele, pois Deus é superior infinitamente sobre nós, nosso entendimento não se compara ao dele.
A vida é cheia de tentações e provações, poderíamos compará-las com as dificuldades que Bimbo enfrentou na animação. Precisamos enfrentar as dificuldades da vida sem sucumbir às tentações e vencendo as provações.
Somos tentados pela vingança, egoísmo, sadismo, ganância, arrogância, desejos maléficos de todas as formas. Mas precisamos resistir, superar as dificuldades sem cair nessas tentações, pois ela nos oferece, apenas uma coisa: uma falsa solução para os problemas.
Quando caímos nessas tentações, nos tornamos vingativos, sádicos, egoístas, doentios, gananciosos...maus, e quando vamos resolver os problemas usando essas características não conseguimos realmente. Agimos de forma a causar situações que são piores que os próprios problemas que já tínhamos, ou seja, buscávamos soluções, mas conseguimos mais problemas do que já tínhamos antes, é como uma bola de neve.
Quando passamos por provações, precisamos vencer, é difícil? Sim! Mas é possível, pois quando estamos sendo provados, estamos tendo uma oportunidade para vencer e amadurecer com a superação daquele sofrimento. Leia o Tiago 1:2-7 (https://www.bibliaonline.com.br/acf/tg/1).
Se quer resolver seus problemas e superar as dificuldades, use as características que Deus te deu, sua inteligência, força, perseverança, fé, peça ajuda à família, amigos, principalmente peça ajuda a Deus, mas tenha fé nele, ou de nada adiantará.
Você tem o que precisa para vencer. Vençam a tentação e escolha o agir correto para resolver os seus problemas, superar suas dificuldades.
Cair nas tentações não é uma coisa boa, isso te levará para um estado pior do que o próprio estado de dificuldade, provação e tentação no qual está a forçar-te contra a tentação, isto é, caso você se sinta tentado e caia, o seu futuro piorará muito. Porém se você resistir e vencer, terá sido aprovado na sua provação e amadurecido, terá vencido um desejo mal e tornado-se mais forte, melhor, terá agradado a Deus e assim fortificado a sua relação com Ele.
Se entregar à tentação não é simples como no desenho de Bimbo, você não irá para um lugar onde belas pessoas te aceitarão com danças e felicidades, mas sim irá para um estado físico e espiritual desgastado, errado e danoso para a sua vida.
Escolha estar com Deus, fazer o que é certo, não se preocupe se você não entende sobre Deus, eu não sei também sobre Ele, leio muito a respeito e escrevo, mas Deus é infinito e nós somos falhos, é impossível entender o quão Ele entende, mas basta sabermos que Ele é perfeito e nos ama, façamos uma relação boa com Ele e sejamos gratos por sua misericórdia e bondade sempiternas.
"Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o Deus dos exércitos, estará convosco, como dizeis." (Amós, 5:4).

"Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele lhes providenciará um escape, para que o possam suportar." (Coríntios, 10:13).
Jesus! Esse foi quem mais sofreu e mesmo assim venceu por todos nós, pois ele nos salvou. Vença suas batalhas, Ele está contigo.

Fonte da Imagem: https://mensagensqueedificam.wordpress.com/aceite-a-jesus/


Assista ao Desenho Completo em HD 1080p

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Referências

A Iniciação de Bimbo - Um Antigo Cartoon Sobre Iniciação Maçônica. Knowledge is Power. Disponível em: <http://danizudo.blogspot.com.br/2012/05/iniciacao-de-bimbo-um-antigo-cartoon.html>. Acesso em 15, set. 2017.

Betty Boop in Bimbo’s Initiation 1931. Filmow. Disponível em: <http https://filmow.com/betty-boop-in-bimbo-s-initiation-t238658/ficha-tecnica/>. Acesso em 15, set. 2017.

Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/>. Acesso em 14, set. 2017.

Bimbo's Initiation (1931) - Talkartoons Theatrical Cartoon Series. The Big Cartoon Database. Disponível em: <http://www.bcdb.com/cartoon/4363-Bimbos_Initiation.html>. Acesso em 15, set. 2017.

Bimbo's Initiation (1931). IMDb. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt0021664/>. Acesso em 15, set. 2017.

Bimbo's Initiation. Wikipedia. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Bimbo%27s_Initiation>. Acesso em 15, set. 2017.

Cartoon Characters, Cast and Crew for Bimbo's Initiation (1931). The Big Cartoon Database. Disponível em: <http://www.bcdb.com/cartoon-characters/4363-Bimbos-Initiation>. Acesso em 15, set. 2017.

Parabéns pelo seu interesse em conhecer uma nova (hi)(e)stória e em aprender algo novo, volte sempre. 

Deus seja louvado!!! 

DMSF.